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[ RESENHA ] Garotas de Vidro - Laurie Halse Anderson

Título Original: Wintergirls
Gênero:  Drama
Autor: Laurie Halse Anderson
Ano: 2012
Editora: Novo Conceito
Número de páginas:  272
Nota pessoal:  3/5
“Tirei a faca do bolso e cortei a palma da mão, só um pouquinho.
- Juro que vou ser a garota mais magra da escola, mais magra que você.
Cassie arregalou os olhos quando o sangue fez uma poça na minha mão. Ela pegou a faca e cortou a mão também.
- Aposto que vou ser mais magra que você.” Pág. 174

Antes de começar a ler Garotas de Vidros eu já sabia mais ou menos o que esperar: um livro denso, tratando de um assunto fora de minha zona de conforto. Ainda assim foi impossível não me impressionar com a trama criada pela Laurie Halse Anderson. Conheçam um pouco mais da perturbadora trajetória de Lia e como ela se tornou uma garota gelada.

Tudo fica mais difícil quando Lia descobre sobre a morte de sua melhor amiga. Não é legal quando uma garota morre. Tudo bem que já faziam nove meses que ela não falava com Cassie, ainda assim... Corpo encontrado em um quarto de motel sozinho... E ela ligou 33 vezes. Sim, 33 vezes, mas Lia não atendeu.
Não foi por maldade. Ela estava fraca. Sempre com frio, Lia já não era uma garota de verdade. Ela é apenas um fantasma sem vontade. Uma garota gelada. Mas nem sempre foi assim...
Em sua infância ela era normal. Amava ler e quando Cassie se mudou para seu bairro, finalmente teve uma melhor amiga. Desde então estavam sempre juntas. Compartilharam livros, brincadeiras e a infância. Quando a adolescência chegou e os garotos da escola começaram a implicar com Cassie, Lia a defendeu com unhas e dentes. Elas eram amigas, sempre diziam a todos que eram gêmeas. E um dia fizeram um promessa e a selaram com sangue. Elas seriam magras. Seriam as garotas mais magras da escola.

Mas Cassie não conseguiu. Ela está morta agora. Seu corpo dormindo em uma caixa prateada e fria, plantado em um buraco no chão. Lia precisará continuar sua luta sozinha. Ela tem 48 quilos. Seus pais acham que é 50. Mas eles não se importam, não de verdade. Sua Mãe, a Drª Morrigan, está sempre pensando na próxima pessoa que vai abrir. O pai, o famoso Professor Overbrook só consegue se preocupar com o novo livro que está escrevendo. Jennifer, a madrasta, a faz subir em uma balança toda segunda-feira para garantir que seu peso não entre na faixa de perigo de novo. E tem a doce Emma, filha de Jennifer e agora sua irmãzinha. Eles fingem ser sua família. Ela finge ser uma adolescente gorda e saudável.
Mas Lia não quer ser como eles desejam. Ela lutou para conquistar o corpo que tem. Os garotos da escola a chamam de garota morta, as meninas invejam sua magreza. Suas costelas saltadas, pressionando a pele. Ela não está doente. Ela apenas é forte, pura! Levara anos para ficar magra daquele jeito. E ainda iria mais longe. Amanhã seria 45, depois 40, 38, 35, 30 quilos. Mais não seria o suficiente. Sua meta é zero quilo. Zero vida.

* * *
Antes de falar minhas impressões sobre esse livro preciso contar algo a vocês: Eu amo comer. Sério mesmo! Claro, não sou um louco que toma leite condensado na caixinha, mas ainda assim esse é um dos meus prazeres preferidos. Esse fato é relevante por ter pesado na minha compreensão. Eu simplesmente passei grande parte do livro sem entender a Lia. E isso, se tratando de uma narrativa em primeira pessoa pode vir a ser bem penoso, embora não tenha sido. Acho que não ficou muito claro, mas vamos por partes.

Minha estranheza para com a Lia começa logo nas primeiras páginas. Ela é uma garota sem vida, faminta e bastante debilitada pelas privações alimentares que se auto impôs ao longo dos anos. Sempre que pensa em ingerir algum alimento, automaticamente seu cérebro o associa a calorias, peso, gordura. Ela come o mínimo possível, se mata fazendo exercícios e sempre que cede a alguma tentação, se mutila como castigo. Mesmo assim quando olha no espelho o que vê é uma garota gorda, feia e estúpida. E aí entrou minha dificuldade. Eu não conseguia entender a Lia, não encontrava uma justificativa para toda aquela tortura.
“Eu não deveria. Não posso. Não mereço. Sou uma gorda gigante e tenho nojo de mim mesma. Eu já ocupo espaço demais. Sou uma hipócrita feia e malvada. Sou um problema. Sou um lixo. Quero dormir e não acordar, mas não quero morrer. Quero comer como uma pessoa normal, mas preciso ver meus ossos ou vou me odiar ainda mais...” Pág. 197

E o pior disso tudo é que não existe uma ponta de esperança para ela. Essa não é uma daquelas histórias clichês onde a garota rejeitada e cheia de problemas encontra um rapaz que se apaixona por ela assim que a vê. Ao contrário. As coisas apenas iam abaixo, e grande parte da culpa era dela mesma. Lia se orgulhava se sua magreza, via em sua fome um sinônimo de força e no vazio de sua vida uma pureza insana. Eu tentei, mas não deu para entender como alguém pode se machucar tanto e mal perceber. E sinceramente li em desalento, pois se a própria Lia não admitia que estava doente, não havia nenhuma chance de melhora. Dificilmente as coisas terminariam bem.
A mente de Lia é confusa. Ela está constantemente com fome, por isso grande parte do que nos conta são delírios e devaneios. Fragmentos do que já foi sua vida e de como ela tem sido ultimamente. Isso aos poucos vai clareando as coisas para o leitor, e peça a peça vamos construindo um quadro do passado. A mãe sempre ocupada no hospital, o pai ausente ou distante, a madrasta imersa em seu próprio mundo, a irmãzinha que vive conforme as expectativas da mãe. E a melhor amiga morta. O inconveniente é que nunca sabia até que ponto dar credito a Lia. E aí entra o principal problema da narrativa. Os demais personagens são pouco trabalhados, estão sempre a margem, e deles sabemos apenas o pouco que a mente conturbada de Lia nos conta. Deixando a obra muito unilateral.

Mas ainda assim não foi um livro difícil de ser lido. A narrativa é um tanto confusa, mas essa característica deu um toque de realidade à trama, pois eu via as coisas sem sentido como uma consequência da debilidade mental de Lia. Mas o que me agradou mesmo foi o final. Gostei muito de como a autora concluiu, explorando os conflitos da protagonista e a confrontando com eles. Foi muito bem bolado e coerente.
Mais do que uma história de ficção, Garotas de Vidro é um alerta. Um exemplo de como podemos fazer mal a nós mesmo sem que sequer percebamos. Transtornos alimentares como bulimia e anorexia não são assuntos dos mais agradáveis, ainda assim é um livro que merece ser lido. A autora ganhou meu respeito ao encarar o desafio de tratar desses temas. Certamente procurarei mais trabalhos dela.

18 comentários:

  1. Ei Jeferson,

    Você tem algo contra quem toma leite condensado direto da caixinha?? humft! hahaha

    Eu fiquei chocada também, com tudo, muito mais com a maneira como a família dela não enxerga e não faz nada, e cai nos golpes dela com a balança. Enfim, triste demais.
    Tbm achei que a narrativa podia ser melhor, principalmente se ela tivesse alternado com outros personagens.
    abs

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    1. Oi Nanda,

      Achei que sua obsessão era apenas por chocolate, hehehe.

      Ah, concordo com você. Eles caiam muito fácil nos truques da Lia. Ela apenas fingiam e todo mundo acreditava. Povo tapado aquele.

      Abraços!

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  2. Tenho muita curiosidade nesse livro.

    http://infinitoparticulardoslivros.blogspot.com.br/

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    1. Oi Erika,

      Leia quando puder, é um ótimo alerta.

      Abraços!

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  3. Já li e tenho esse livro, de alguma forma eu me identifico com ele portanto que é meu preferido. O final foi bem elaborado mesmo e a autora trouxe um assunto pouco falado o que me fez admira-la ainda mais.

    http://dienyladyy.blogspot.com.br/

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    1. Oi Dieny,

      Concordo com você sobre o final. E o que mais me chamou atenção nesse livro realmente foi o tema abordado!

      Abraços!

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  4. Só essa primeira frase do livro eu já gostei. Parece ser algo eletrizante. Deve ser difícil perder uma amiga e ter de retomar a vida assim.
    Gostei, o livro parece denso, mas bom


    Estou sorteando DEZ livros em ritmo de Halloween, você poderá levar todos
    para casa.

    Participe!

    M&N | Desbrava(dores)
    de Livros

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    1. O livro é realmente denso, mas vale a pena pelo tema abordado!

      Abraços!

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  5. A temática é super importante e envolvente. Com certeza deve ser um livro tenso, mas gosto desse estilo. Quero muito ler.

    Bjs, Isabela.
    www.universodosleitores.com

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    1. Oi Isabela,

      Leia sim, vale a pena pelo tema abordado.

      Abraços!

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  6. Eu também amo comer e desde que li as primeiras resenhas sobre o livro fiquei matutando isso, como pode, né? O que uma doença faz com a pessoa. Eu acho que vou penar muito para ler o livro, porque sempre absorvo do que leio, mas quero ler, afinal, ele está na estante esperando por isso.
    Beijos

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  7. E o livro é bem forte e no começo pode parecer confuso, mas é porque ele é todo narrado por Lia, assim podemos entender o que se passa pela cabeça dela e mesmo assim não consegui entender o que leva uma pessoa a fazer isso. Mas uma fato bem legal no livro, são os sintomas de Lia, que são bem claros, mas só ela não percebe.

    Beijos
    @pocketlibro
    http://pocketlibro.blogspot.com

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  8. Oiii!!
    Já li o livro, e essa é uma leitura bem difícil! Eu também amo comer, e ver o estado da protagonista é de dá agonia!
    Sua resenha ficou otima mesmo, parabéns!
    Beijos

    Elidiane
    Leitura entre amigas

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  9. Parece bem intenso mesmo, mas não sei se eu leria...

    Abraço!
    http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

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  10. Oie Jeferson =)

    Já li Fale! da mesma autora e posso garantir que pelo visto ela gosta de escrever sobre temas intensos.

    Tenho muita vontade de ler Garotas de Vidro, mas acho que ainda não é o momento devido a carga emocional da história. Com certeza não será um livro fácil de ler.

    Parabéns pela resenha!

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary


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  11. Oi querido!

    O livro não foi leitura fácil pra mim, assim como pra você, e acredito que pra qualquer um! Não tem como não ser arrastado pra confusão que é a mente dessa menina! Eu consegui entender sim como era possível porque infelizmente já li muito sobre isso quando a irmã de uma amiga passou por problemas, mas também não entendo como a família pode não notar.

    Um beijo
    http://escolhasliterarias.blogspot.com.br/

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  12. Oi Jeferson esse é um livro bem forte e mexeu comigo profundamente. Vi as confusões da Lia e realmente mostraram de forma real e dolorosa como ela estava ruim e seu corpo estava pedindo socorro. Eu também não conseguia entender como alguém se alimentava daquele jeito, aliás, não se alimentava.
    Esse livro deveria ser introduzido como para didáticos, ele tem importante lições e pode ajudar bastante alguns adolescentes que estão passando por algo parecido.

    Abraços
    Caline
    mundo-de-papel1.blogspot.com.br

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  13. Nossa, parabéns pela resenha. Você se posicionou muito bem!
    Estou com esse livros em mãos e só precisava de uma opinião alheia para começá-lo. Você me convenceu, sem dúvidas haha
    Acho que a maior qualidade de um livro é o seu bom conteúdo, e Garotas de Vidro parece ter isso.

    Beijos,
    Le Lançanova
    Palácio de Livros

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Olá, obrigado pela visita!!!